Purificação de Água para Hemodiálise Via Osmose Reversa

Quem lida com tratamento de água para hemodiálise e maquinas de hemodiálise já ouviu esse termo e conhece o processo mas, para quem não está familiarizado, este termo assusta. Do que se trata? A osmose reversa é uma técnica utilizada no tratamento da água e também no processo de hemodiálise. Com ela, consegue-se obter uma purificação adequada da água e, posteriormente, o uso dessa água para purificar o sangue. Isso é conseguido com filtro de carvão ativado, filtro de areia, coluna deionizante, etc. Mas antes de falar sobre os mecanismos, vamos ver o que é a osmose.

Osmose: nome estranho, função primordial

A osmose é, a grosso modo, o equilíbrio químico entre duas substâncias com concentrações diferentes de um certo soluto (por exemplo, sal). As duas substâncias (no caso, líquidas) são colocadas num mesmo compartimento, porém separadas por uma membrana semipermeável que não deixa que elas se misturem – mas permite que o soluto que está na solução com maior concentração passe para a solução com concentração menor até que se igualem. Num exemplo bastante grosseiro, imagine colocar água muito salgada numa parte e água comum na outra. Através dessa membrana, o sal em excesso vai passando de uma água para a outra menos salgada, até que as duas fiquem com a mesma concentração de sal.

No caso da osmose reversa, é colocada uma certa pressão no sistema, e essa pressão faz com que a água mais salgada (ainda usando o nosso exemplo) passe pela membrana semipermeável em direção à água comum, mas o sal fica para trás (na osmose comum, ele é que atravessaria a membrana). Assim, a água pura fica separada em uma das divisões do compartimento e o sal em outra, ficando fácil descartá-lo.

Vários filtros para uma função final

No caso da água para uso na hemodiálise, a osmose reversa é apenas uma das etapas. Antes disso, ela deve passar por:

  • filtro de areia purificada, que reterá partículas maiores em suspensão na água;
  • compartimentos deionizantes, para eliminar a condutividade elétrica  da água retirando seus íons de cálcio, magnésio, ferro, cobre e outros;
  • filtro de carvão ativado, onde as partículas do cloro utilizado no tratamento anterior da água são atraídas para os microporos da superfície do carvão, bem como outras partículas orgânicas, tornando a água totalmente insípida, inodora e incolor;
  • finalmente o sistema de osmose reversa, onde esta água já bastante purificada é filtrada mais uma vez para retirar qualquer partícula indesejável. Os microfuros são pequenos o suficiente para reter qualquer impureza que tenha passado pelos processos anteriores.

Com a retirada do cloro através da passagem pelo filtro de carvão ativado, a água fica susceptível aos microorganismos que possam estar presentes na mesma, o que representa um risco sério para os pacientes que fazem uso da hemodiálise. Alguns podem chegar a passar até mesmo pela filtragem via osmose reversa. Para evitar uma possível contaminação, usa-se uma lâmpada de ultravioleta, que promove a desinfecção da água ao fim do processo. Assim, se houver um microorganismo sobrevivente, ele será eliminado neste momento.

Resultado final: água em seu estado mais puro

Ao final de todo este processo, a água resultante está completamente livre de qualquer outra substância que não seja ela mesma. Não haverá nenhum mineral, íons, microorganismos e outras substâncias orgânicas em todo o seu volume. Mas por que ela deve estar tão pura para ser usada na hemodiálise, se nosso organismo possui todas as coisas que foram removidas dela?

Exatamente por isso. Nosso organismo possui cálcio, ferro, magnésio, sal e tudo o mais, mas em quantidades constantemente controladas pelos nossos rins. Os pacientes de hemodiálise precisam deste tratamento porque seus rins já não funcionam mais – ou estão com sua capacidade severamente reduzida. Esta água precisa ser pura a um nível tão alto para que possa subtrair o excesso destas substâncias do sangue que passa pela máquina, fazendo o trabalho que os rins do paciente já não fazem mais.

Este processo de purificação do sangue, aliás, também se dá através da osmose – mas da osmose comum, onde os solutos passam da solução com maior concentração (o sangue) para a com menor concentração (a água purificada). Na hemodiálise também é pela osmose que se faz a retirada do excesso de água do sangue (outra função que os rins também já não exercem mais), mas isto se dá em outra etapa do tratamento.

O importante é garantir que, em todas as fases, o paciente não seja exposto a elementos contaminantes, uma vez que sua saúde já se encontra debilitada.

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