Haja Saúde pra Tanta Curva!

Adoro viajar. Se tem uma coisa que realmente adoro é viajar por aí – aliás, quanto mais longe, melhor! Isso (gostar de viajar) eu aprendi com o meu pai; já com a minha mãe (que detesta), eu aprendi a andar sempre prevenida. Desde pequena, carrego comigo uma bolsinha cheia de remédios, muitos dos quais eu nunca precisei, graças a Deus. Mas eu ficava tranquila de saber que eles estavam lá se eu precisasse um dia – ou se algum companheiro de viagem precisasse; vai saber.

Quem abrisse a tal bolsinha encontraria lá: curativo, mertiolate, dramin, remédio pra dor de cabeça, remédio pra cólica menstrual (mas que servia pra outras dores de barriga também), até um antialérgico! E eu era rígida com o controle deles: antes de acabarem, eu já providenciava mais uma cartela, e quando a data de validade estava próxima, eu tratava de comprar outro novo. Vigiava como se trabalhasse num posto de saúde! Até que um dia decidi que era bobagem continuar com aquele hábito e, numa viagem à praia, deixei a bolsinha pra trás. Ah… pra quê…

O drama da Serra do Mar

Estávamos indo a Ilha Bela, pra uma chácara muito simples e gostosa dos pais de um amigo nosso. Quando cheguei sem minha bolsinha (que ia no eu colo em todas as viagens), até estranharam! “Ué, cadê a farmacinha?”. Ninguém acreditou quando falei que tinha deixado pra trás de propósito e me acusaram de ter esquecido sem querer. Eta fama!

E lá fomos. Como não era feriado nem qualquer outra época em que mais da metade da população de São Paulo foge da cidade, não encontramos aquele trânsito travado de todo feriado no jornal das oito. Dessa vez pegamos estradas com o trânsito normal de um dia comum de trabalho. O carro era confortável, forte e muito bom de curva, então vencemos o primeiro trecho rapidinho. Mas quando chegamos à descida da serra… eu quis morrer.

Ah, Senhor, por que não fomos num fusca? Ou então por que não fomos a Minas? PRA QUÊ TANTA CURVA, MEU DEUS?? Eu não me lembrava da descida da Serra do Mar, com aquela sequência interminável de curvas que jogam a gente pra um lado e pra outro por meio século! Como o carro era bom de curva, o motorista (aquele safado) foi um pouco mais “generoso” com a velocidade e barbarizou na descida. O pessoal achou muita graça mas eu… coitada de mim… estava verde e com os olhos girando em todas as direções. Nem a beleza da serra me distraía!

Meia hora de terror

“Chamei o Raul” tantas vezes que acho que até escutei a voz dele mandando eu ficar quieta! O pessoal achava graça até a segunda vez mas, quando pedi pra parar pela terceira vez, começaram a ficar incomodados. Aquela viagem ia demorar mais tempo pra terminar do que haviam planejado porque a doida resolveu se revoltar contra os remedinhos e passar mal o trecho todo.

Por fim, o motorista já estava indo mais devagar, na tentativa de evitar novos enjoos. A verdade é que não passaram: enjoei até chegarmos no fim da serra, quando as curvas terminaram e a estrada ficou mais branda. Paramos num restaurante de beira de estrada mais arrumadinho pra eu me recompor. Joguei uma água na cara, arrumei o cabelo (quando a gente passa mal, até o cabelo desgrenha, é impressionante) e tentei colocar alguma coisa no estômago pra dar uma energia. Ficamos ali quase uma hora inteira, mas funcionou: conseguimos seguir viagem até o fim. Ah: e com um dramin que comprei naquele restaurante (esse povo adivinha do que os viajantes precisam?).

Não sei se foi pelo cansaço dos enjoos ou se foi só pelo efeito do remédio, mas o fato é que dormi até chegarmos à balsa. Como perdemos o horário, tivemos que esperar uma duas horas a mais ali no cais. Achei ótimo! Dormi esse tempo todinho. E depois, quando a balsa chegou e nós embarcamos, dormi durante toda a travessia. E mais ainda depois que chegamos à chácara, o que matou o pessoal de raiva porque não queriam ir à praia e me deixar sozinha daquele jeito. Resumindo: estraguei FEIO o primeiro dia, e só porque resolvi deixar minha bolsinha de remédios pra trás!

Moral da história? Isso aconteceu há mais de dez anos e, até hoje, não largo minha “farmacinha”. Vai que…?

Sobre Este Autor

Postar uma Resposta