As Esculturas que “Falam”

Esculturas são criações totalmente silenciosas, sem movimento, estáticas, como se estivesse ali, em cada uma delas, um momento captado e congelado no espaço tempo. Este silêncio assustador encontrado nessa abordagem artística possui total oposição em relação à música. O som musical é, por si só, um elemento que cria um canal de comunicação envolvendo um ruído material perceptível publicamente, o qual quebra o silêncio.

Muito diferente dos instrumentos musicais, a arte escultural e o entalhe possuem um outro tipo de “link” de comunicação, ou seja, produzem um outro tipo de “ruído”, barulho esse que já não é publicamente perceptível, sendo, assim, subjetivo e singular. elo esse que se dá pelo impacto que a imagem provoca no telespectador de qualquer que seja a produção artística visual. Um trabalho esculpido toca o imaginário de quem o observa diferentemente do modo que uma música chega em um ouvinte, pois a visão e a audição são sentidos de dimensões diferentes (heteróclitos). Ainda há um outro ponto a ser considerado, que diz respeito ao sentido “tato”, pois o tipo de vibração que uma luz produz (luz da imagem de um trabalho visual) é diferente da frequência vibratória que uma onda sonora produz.

Ton Dias, um artista plástico de Belo Horizonte-MG, consegue criar, com seu trabalho, uma conexão totalmente singular. Ela cria a possibilidade da união “arte/música” ser concretamente possível. Ele é escultor, trabalha com entalhe em madeira e ainda por cima é Luthier (construtor de instrumentos musicais).

O trabalho do artista envolve uma mistura de escultura e entalhe em instrumentos musicais de alto padrão e performance. Quem olha de um modo desatento pode ter a errônea impressão de seus instrumentos serem apenas peças de decoração, ou que não são “guitarras de verdade”, de tão impactante que é o trabalho. Mas depois que lemos um pouco sobre o artista e vemos suas guitarras em ação nos vídeos de seu site, nos surpreendemos com o universo de possibilidades que tal trabalho pode trazer à arte e à música.

Um trabalho como este merece ser observado bem de perto, pois consegue unir luthieria e artes visuais criando uma poderosíssima conexão que entrelaça arte e música, duas dimensões de profundo impacto no ser humano. O músico que tiver a oportunidade de pegar em um instrumento como este e tocar melodias e harmonias criará, diante de quem estiver a sua frente, um elo que permitirá um efeito de proporções colossais, pois algo que consegue ligar música e arte conduz a atmosferas pouco exploradas, de outros níveis de complexidade.

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