A Inovação Tecnológica Vista por Dois Mundos

A Propriedade Intelectual é um importante instrumento de apoio à competitividade econômica, exercendo um papel crítico no processo de desenvolvimento tecnológico dos países e de avaliação mercantil, mostrando cada vez mais que é preciso continuar a investir de maneira crescente na formação de recursos humanos de alto nível e na acumulação de capital intangível introduzida na dinâmica econômica.

No Brasil existe um enorme hiato entre o mundo acadêmico e o mundo empresarial. No mundo acadêmico a pesquisa é desenvolvida e no mundo empresarial a pesquisa é aplicada com fins econômicos. Porém, desenvolver tecnologia (academicamente) por si só, sem que haja aplicação direta em inovações tecnológicas de ponta empregadas na empresa/indústria, não garantem o verdadeiro e crescente desenvolvimento econômico sustentável.  Todas as profissões, por mais específicas que sejam, estão em constante ciclo de transformação e à mercê de novas formas de atuação e de adaptação ao mercado.

O Homem interage com o meio em que cria e em que vive. Hoje, com a loucura do dia a dia, tudo está interligado com o ambiente profissional. Estamos vivenciando a globalização dos negócios, da economia, do ensino, das ações e decisões, rompendo totalmente as fronteiras e as barreiras entre os países. Tanto que com novos caminhos, muitas áreas que eram quase inimagináveis há alguns anos, já estão sendo redimensionadas para um novo contexto profissional. Com as descobertas da biotecnologia, por exemplo, ao permitirem que animais, plantas e até pessoas sejam no todo ou em parte “feitos pelo próprio homem”, já estão afetando a essência da religião, filosofia, rompendo costumes e alterando nossa visão em relação à vida.

A educação sempre estará na vanguarda dessa mudança de paradigma, fornecendo ferramentas para a transformação inicialmente no indivíduo para a posterior transformação de maneira macro do ser coletivo. Educação, diga-se, por excelência, deve ser compreendida como toda a estrutura necessária para o exercício da cidadania, vez que não há como ser educado, sem ser cidadão. Hoje vemos uma política industrial educacional preocupada em lançar no comércio diplomas a serem pendurados na parede como mero objeto de ostentação e adoração, sem a principal e mágica transformação do indivíduo pelo conhecimento. Verdadeiros zumbis acadêmicos, semianalfabetos letrados que se multiplicam em progressão geométrica e que apenas fazem parte das estatísticas nacionais.

O conhecimento deve mudar nossa maneira de pensar e o esquema de operar e administrar o nosso cotidiano, sempre para o melhor. Também, a empresa deve se beneficiar das novas tecnologias que permitam ganho de participação no competitivo mercado em que atuam, através do lançamento de inovações (produtos e processos produtivos inovadores, novos materiais, novos meios de divulgação e marketing, etc), sem esquecer que há um enorme espaço para o fomento de novos investimentos intelectuais manifestadamente na atividade inventiva e inovadora de sua área atuante. Mas infelizmente não há no Brasil uma cultura incentivadora inventiva.

Temos muitos empreendedores “dando de mão beijada” o capital intelectual das ideias a grandes empresas, sem ter reconhecido o seu valor, caindo nas teias e armadilhas mercadológicas por não ter tido novas oportunidades. Nasce assim a engenharia reversa da atividade inventiva, que, explorada de forma agressiva e impositiva por um mercado voraz, traz em si a capacidade de amordaçar e acovardar novas ideias, a capacidade de geração de novos valores e novos processos produtivos da sociedade, caindo na mesmice. A legislação brasileira sobre direitos autorais e de patentes é confusa, extensa e em diversas situações não garante o efetivo ganho financeiro com a invenção criada. O processo de obtenção de patente é muito demorado, custoso e burocrático e deve ser revisto e melhorado, passo a passo e dia a dia.

Deve-se estimular a aproximação e o patrocínio de departamentos de pesquisa de Universidades por empresas privadas e as patentes geradas devem beneficiar a ambos, dando-lhes condições de continuar a pesquisa e de novos projetos. A formação educacional de base deveria ter meios de pôr em prática algumas ações  voltadas às necessidades da sociedade regional/local. Todas as faculdades e universidades, técnicas, públicas ou não, deveriam ter por meta anual, dentro de suas finalidades educacionais, uma exigência do MEC à contrapartida da exploração financeira, o desenvolvimento de mecanismos do trabalho intelectual manifesto na atividade inventiva e inovadora a ser aplicado na produção industrial e econômica de sua região. Este tema ainda é um enorme tabu, tanto pelo fato da academia resistir à suposta intromissão das empresas na condução da pesquisa, como também, pelo controle da empresa sobre a linha acadêmica, todavia algum arranjo deve ser estabelecido neste sentido, caso se queira resultados efetivos, práticos e satisfatórios neste cenário.

Diversos campos são propícios para a aproximação entre academia e empresas, dentre estes se destacam o de biotecnologia, desenvolvimento de novos materiais, nanotecnologia, engenharia eletrônica, engenharia de software, energia, tecnologia de transportes, química, produção, entre tantas outras áreas. Assim, torna-se necessário que novas ferramentas do conhecimento possam transformar velhos hábitos em novas experiências, transformando o velho modelo de fazer as coisas, em modelos mais inovadores e modernos que sejam eficazes em seus objetivos, prazos e investimentos. É imperioso que o Brasil redesenhe uma forma de sinergia em sua legislação de modo a aproximar estes dois mundos, hoje tão distantes e tão distintos entre si. A busca de novos caminhos ou o redimensionamento profissional estão contidos no mesmo conjunto de transformação social e que individualmente nos faz parar, pensar e questionar, será que estamos todos prontos para o novo?

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