A Falácia na Tentativa de Correlacionar Pobreza e Criminalidade

Em reportagem recente, publicada pelo veículo online O Globo, é demonstrada que a taxa de homicídios no Brasil cresceu de forma considerável em 20 Estados, nos últimos 20 anos. Os Estados que lideram essa estatística são Amazonas, Ceará e Maranhão. Já em São Paulo e Rio de Janeiro, ocorreu uma queda neste número, puxando a média para baixo. O grande questionamento levantado pela reportagem é claro: por que a violência cresceu em um momento em que o Brasil avançou em indicadores sociais e reduziu a pobreza? Entre tantas variáveis que podem ajudar a responder esta pergunta, como fracasso do Estatuto do Desarmamento, cultura da impunidade, pouca eficiência no investimento do poder policial, entre outras, há pelo menos uma delas que podemos desconsiderar: a pobreza ou desigualdade social.

Podemos ainda expandir esse raciocínio, não apenas para a violência, mas à criminalidade em geral, como ações de corrupção, sonegação, etc.

O pensamento da esquerda (progressista) insiste em condicionar criminalidade a classe social. Em outras palavras, o cidadão vira um criminoso, exclusivamente pelo fato de ser pobre. Baseado neste raciocínio, a pessoa ao morar em uma favela, por exemplo, já está automaticamente condenada a entrar no mundo do crime. Seria a “ordem natural das coisas”, seguindo o pensamento simplista de Rousseau, no qual o homem nasce bom, e “torna-se mau em virtude da influência do convívio em sociedade”.

Porém, quando trabalhamos com fatos e dados, há um silêncio por parte deste pensamento progressista, ao levantarmos perguntas simples, como:

Já que a criminalidade é explicada pela pobreza, então o que leva um rico de nascença, a cometer um crime de sonegação? O que leva um político com altos salários, a cometer um crime de corrupção? Como explicar que dois irmãos pobres, criados com as mesmas “faltas de oportunidades”, tenham caminhos opostos na vida, sendo que um opta pelo trabalho honesto, e o outro pelo atalho da criminalidade?  Se o país cresceu, ou seja, as pessoas ficaram menos pobres, então por que os crimes aumentaram tanto neste mesmo período? A resposta é mais simples do que parece: a escolha individual.

Cada vez mais os progressistas insistem em retirar as responsabilidades dos indivíduos e jogar na conta da sociedade, do coletivo. É um argumento simplista e abstrato, contrariando todas as estatísticas, fatos e dados apresentadas. Se nasceu pobre e não teve a oportunidade de estudar, já virou bandido! Se nasceu rico e estudou em escola boa, então não será bandido! Eis o “sólido” argumento da esquerda, ignorando qualquer tipo de escolha do cidadão. A pessoa pobre não pode escolher trabalhar honestamente? A pessoa rica não pode escolher ser criminosa?

Tal argumento revela um imenso preconceito ao ignorar que a esmagadora maioria das pessoas pobres, que moram nas favelas, por exemplo, é honesta e trabalha duro para tentar melhorar de vida. Imagine chegar para uma mãe de família pobre, que trabalha mais de 10 horas por dia para poder alimentar seus 4 filhos, e simplesmente lhe falar: “a chance de você virar criminosa é muito grande, quase certa, afinal de contas você é pobre. Você não tem escolha, ok? Pode cometer um crime que está tudo certo, a culpa não é sua mesmo. É do ambiente que você foi criada…”. Nada mais absurdo e injusto insistir nesse argumento.

E o Eduardo Cunha, por exemplo? Sempre estudou em escolas boas e frequentou os ambientes mais requintados. Ele não é criminoso? E o Sérgio Cabral, e o Zé Dirceu?? Todos pobres esfomeados que não tiveram oportunidades, e por isso entraram para o crime.

A única diferença entre ricos e pobres frente a criminalidade, é o tipo de crime cometido, estando condicionado, aí sim, ao ambiente que os cercam. Por exemplo, o político rico desvia verbas em esquemas fraudulentos, pois esse é o dia a dia que está ao alcance dele. Já o empresário, sonega impostos. A realidade do pobre é o dia a dia nas ruas, e caso o indivíduo opte pela vida bandida, os crimes ao seu alcance serão de furto, roubo ou que envolvam violência.  O tipo de crime pode ser explicado pela classe social. Este argumento sim, fará algum sentido.

Matérias como esta, publicada pelo O Globo, apenas demonstram a visão deturpada, preconceituosa e completamente fora da realidade, que a esquerda progressista insiste em possuir.

Vários fatores influenciam nos indicadores de violência, porém dados e fatos demonstram que a “desigualdade social” não é um deles. Acima de qualquer fator que possa influenciar nessa estatística, o principal é o livre-arbítrio do indivíduo, ou seja, se poder de escolha.

Enquanto este pensamento desonesto de “pobreza gera criminalidade”, continuar sendo alimentado pela grande mídia, cada vez mais o debate sério para combater as verdadeiras causas do aumento expressivo dos crimes será adiado.

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